sábado, 16 de fevereiro de 2013

Governador da Bahia diz que mudanças no secretariado serão só pontuais

Durante a reabertura dos trabalhos na Assembleia Legislativa, nessa sexta-feira (15/2), cerimônia que reuniu não apenas o governador Jaques Wagner e deputados, mas também muitos secretários de estado, alguns que, inclusive, estariam na berlinda, o clima era de total cautela quando o assunto era a tão especulada reforma administrativa no governo estadual, cujos prazos dados pelo próprio chefe do Executivo extrapolaram e a previsão agora é uma incógnita.
A única novidade ficou por conta de uma conversa entre o governador e o secretário de Relações Institucionais, Cézar Lisboa, para as próximas horas.
Em conversa com a imprensa, Wagner voltou a reiterar que não irá inventar projetos e sim consolidar os que estão em curso. Conforme ele, mudanças pontuais poderão acontecer a qualquer momento caso seja necessário. “Mas eu diria que minha equipe está montada e não há ajuste premeditado, marcado, com data”, fez questão de frisar.
Com o discurso bastante afinado com o de seu líder, o titular da Serin, Cézar Lisboa, que estaria cotado para migrar para a Sedes, dando espaço para o líder do governo na AL, deputado Zé Neto, afirmou não ter conhecimento de nenhuma novidade sobre o assunto.
“Não existem novidades. Todas as conversas que tivemos foram para preparação de alguns cenários possíveis, mas é o que estou falando, qualquer que seja a decisão, virá do governador Jaques Wagner. Nas próximas horas terei uma conversa com ele para falar sobre o assunto, mas volto a repetir que é algo que depende dele. Nós estamos realmente sem uma data marcada”, pontuou.
Saindo pela tangente, o secretário da Casa Civil, que vale lembrar é braço direito de Wagner, disse não se tratar se um assunto da sua alçada. “Bom, quem trata disso não sou eu, mas sim o secretário Cézar Lisboa, e eu não tratei com ele dessas questões por respeitar os papéis dentro de governo”, esquivou-se.
Destoando dos colegas, o deputado Zé Neto foi o único a não descartar que possibilidade de integrar um quadro no governo não está descartada, apesar da demora do anúncio.
“Na verdade não posso descartar uma situação como essa que não seria de bom tom, mas posso dizer com tranquilidade que estou como líder do governo e estou muito tranqüilo com meu papel aqui na Casa. Entretanto, é obvio que sou um soldado do governador que já colocou que fará mudanças pontuais, mas precisa apenas azeitar alguns pontos. Se houver mudanças na Serin, um dos nomes ventilados é o meu, mas cabe a ele que é o técnico e que esta vendo o jogo de cima do tabuleiro definir”.
O deputado federal Afonso Florence, por sua vez, que também teve o nome ventilado para voltar a compor o time de Wagner, negou que tenha sido convidado, porém destacou que embora tenha como plano cumprir seu mandato na Câmara Federal, o convite de Wagner a qualquer um seria uma convocação.

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O que querem os católicos?* por Zé Dirceu

Como nunca deixo de debater os assuntos mais palpitantes do momento, faço-me algumas perguntas que divido também com vocês: o que se passa com a Igreja Católica Apostólica Romana? Querem os católicos as mudanças que os tempos exigem? Querem uma nova reforma antes que outra cisão na Igreja a faça? Estas são perguntas que os católicos, inclusive os do ainda maior país católico do mundo, os do Brasil, precisam responder.

Mas como decidir se a Igreja é uma monarquia absolutista com uma corte decadente e envolvida em escândalos, intrigas e luta pelo poder que, tudo indica, levaram à renúncia do atual papa? Não há democracia na Igreja, nem controle, fiscalização e transparência dos atos de seus chefes. Pelo contrário, ela já é vista como uma das maiores redes de intrigas do mundo, que se desenvolvem nos subterrâneos da Cúria Romana, que tenta mantê-las no mais absoluto sigilo. Mesmo os sínodos e os concílios perderam poder.

A vida se impõe e o mundo caminha para novos tempos, sem que a Igreja acompanhe as radicais mudanças na sociedade civil e no poder Estatal. Enquanto isso as contradições da Igreja se acumulam: pedofilia, negócios ilegais, espionagem, luta pelo poder no Vaticano e na Cúria Romana.

A grande maioria dos católicos quer mudanças? Não me parece

Avança a pressão para o fim do celibato, do preconceito contra a mulher e do seu papel na Igreja. Mas a Igreja continua com a rejeição à camisinha e, pasmem, a já envelhecida politica de condenação dos homossexuais, já que cada dia mais – e felizmente – os países aprovam o casamento e as relações homoafetivas (Inglaterra, Estados Unidos e França acabam de tomar decisões a respeito).

Isso sem falar no abandono da Igreja dos seus compromissos com os mais pobres e com as causas políticas e sociais das maiorias católicas. A grande questão é: a maioria dos católicos quer as mudanças ou apenas um papa mais jovem, evangelizador, ante ao crescimento dos evangélicos e dos neopentecostais? Não me parece...

Pelo menos os bispos e os cardeais parecem conformados com o status quo e/ou estarrecidos com a renúncia do papa. Até porque aceitam, por exemplo, que o maior pais católico da humanidade, o Brasil, tenha apenas 9 cardeais (mas apenas cinco com direito a voto), enquanto a Europa tem 116 (62 com direito a voto). Apenas italianos são 28 cardeais. Os Estados Unidos, um dos maiores países protestantes no mundo, têm 11 com direito a voto e o Canadá, 22!

Igreja já foi mais prestigiada pelo Vaticano no Brasil

O Brasil, inclusive, já teve bem mais sedes cardinalícias do que tem agora. Porto Alegre, Brasília e o Rio de Janeiro já tiveram cardeais e o papa Bento XVI não nomeou seus substitutos, deixando-as há anos com arcebispos. Sem contar o Recife, para o qual o Vaticano desde o início dos anos 60 evita designar um cardeal porque teria de nomear Dom Hélder Câmara.

Alguns cardeais - inclusive um brasileiro, o de São Paulo, dom Odilo Scherer - nem sequer defendem um papa mais jovem e ou africano. Aliás, há somente 19 cardeais africanos e 30 latino americanos. Insisto na questão: os católicos querem mudar e recuperar o espirito do Concílio Vaticano II (aquele convocado pelo papa João XXIII) ou preferem retornar ao passado Trentino, da contra-reforma?

*www.zedirceu.com.br

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Comunicado de DESFILIAÇÃO DO PT

CARTA DE DESPEDIDA E ENCERRAMENTO DE MILITÂNCIA DENTRO DO PARTIDO DOS TRABALHADORES – PT / SALVADOR / BAHIA / BRASIL

Salvador, 12 de dezembro de 2012.

     Depois de uma convicta decisão de me filiar ao Partido dos Trabalhadores, por ideal, sonho e metas a serem construídas coletivamente e depois de ter por várias vezes tentado me filiar, e acabar, por ironia do destino indo parar no Partido Socialista Brasileiro – PSB Bahia, acabei junto com um grupo de amigos e companheiros decidindo pelo nosso ingresso em conjunto no Partido dos Trabalhadores.

     Jamais “lulista”, sempre petista, vi – junto com meu grupo – que o PT era o instrumento necessário para que pudéssemos mudar a sociedade. Desencadear as mudanças necessárias e estruturantes à educação pública brasileira desde a pré escola até a universidade, garantindo a educação pública e de qualidade mais com a garantia de reconhecimento e valorização – respeito – aos professores imprescindíveis a esse projeto de elevação da nação pela educação. Vi ainda no PT o instrumento necessário de combate ao racismo e as descriminações raciais e sociais excludentes e que ainda hoje atemoriza povos no mundo inteiro. Cri também ser o PT a arma da juventude, para que esta pudesse estar munida de instrumento solucionador e garantidor de construções eficazes de políticas públicas reais e condizentes com as demandas e necessidades nossas.

     O que muitos lá foram julgam como uma verdadeira bagunça era um dos pontos para mim mais atrativos no partido. O direito de Tendência que muitos julgam “partidos dentro do partido” para mim sempre soou como o direito real de organização e de prevalência do diferente. Mesmo num projeto de esquerda, racial, educacional e das mais diversas frentes de empoderamento há divergências quanto à melhor forma de se alcançar o objetivo. O PED – Processo de Eleições Direta é outra formula fabulosa de exercício da democracia a qual o PT sempre pregou e defendeu como utopia a ser perseguida.  

     As experiências dos governos Lula (mesmo com o episódio do “Mensalão” e outros fatores) e do governo Dilma, de certa forma ainda são animadores, embora não alcance nem de longe o que se projetou nos programas petistas de outrora que motivaram a juventude a qual fiz parte a crer e ver nessa sigla – maior da América Latina, o nosso ponto essencial de revolução. Apresentamos mais reformas que uma revolução verdadeira. Na realidade, apresentamos somente reformas e ainda assim, reformas pontuais.

     A experiência do primeiro e agora do segundo governo Jaques Wagner foram a meu ver as piores possíveis. Uma terra que foi tanto castigada por um regime autoritário e antiquado tinha que ser substituído por algo realmente revolucionário. No entanto o que vemos com o governo Wagner é uma troca literal de seis por meia dúzia. Nem Antônio Carlos Peixoto de Magalhães – ACM conseguiu uma bancada tal qual Wagner. Nunca se reelegeu tanto um presidente de Assembleia e se foi tão submisso a uma base (pseudo) política fazendo com que militantes históricos do PT fossem substituídos e escanteados por interesses diversos onde para o governador tudo continua bem.

     Uma política ineficiente de Segurança Pública, uma péssima ação educacional, uma falta de estrutura e respeito aos educadores e à educação pública seja a estadual de ensino médio, ou seja, as degradadas Universidades Estaduais – UNEB, UESC, UESB e UEFS. Não há reconhecimento, valorização e nem respeito aos educadores nem da escola e nem das universidades. Não reconhecimento e compensação financeira e nem disposição de mudar tal história, tai a greve de mais de cem dias aonde vimos claramente o desinteresse do governador em conduzir o processo em respeito à categoria, aos alunos e seus pais. Desde o primeiro dia não houve por parte da pessoa do Sr. Jaques Wagner interesse de realizar qualquer tipo de revolução político – pedagógica em nosso Estado. A prova passa desde a equipe de transição da área de educação do governo Paulo Souto – Jaques Wagner e os secretários da Educação que o mesmo nomeou e quanto insistiu em nomes como no caso de Adeum Hilário Sauer que a categoria pedia que saísse e ele mantinha por simples prazer, picuinha. Quando já no início poderia ter nomeado um homem mais engajado e com visão de revolução educacional tal qual era o ex – deputado e hoje Conselheiro Zilton Rocha ou outra pessoa que pudesse conduzir o processo. Não tenham dúvida que o peso dessa greve educacional, para além das políticas mesquinhas de autopromoção do PCdoB, do coordenador da entidade APLB Sr. Rui Oliveira e ainda os famigerados ditos partidos de ultra esquerda radical PSOL e PSTU, me fez e faz realmente repensar todo o conteúdo em que depositei crença. Um partido de Paulo Freire (secretário da educação na gestão Luiza Erundina em São Paulo), de Florestan Fernandes e Sérgio Buarque de Hollanda e Cristovam Buarque seria realmente o mesmo partido de Jaques Wagner, Adeum Sauer, greve de cem dias, corte de salário e perseguição em escolas? Penso eu que não. Tenho convicção de que não.

     Para além desse capítulo da educação, que merece destaque ainda a demora para a realização de adoção do Projeto “Quero eleger minha diretora” de autoria do ex – deputado Zilton Rocha, passando antes por nomeação de aliados e correntes internas a direção de colégios a fim de que os mesmos pudessem se garantir e assim quando a eleição fosse marcada se garantirem como vitoriosos numa farsa de processo eleitoral democrático pelo qual a comunidade escolas deveria passar. Mas para, além disso, a matança da juventude negra, que parlamentares negros do PT que sempre caminharam ao lado da negrada fingem não ver para manter seus espaços no governo, sua ridícula secretaria de uma inexistente secretaria de promoção de uma cada vez mais distante igualdade racial. O governo Wagner mata dia a pós dia os jovens negros desse Estado e não garante a juventude um real espaço de organização e desenvolvimento humano, intelectual, educacional, esportivo, social, com condições de igualdade de raça / gênero / etnia. O que o governo garante é uma ante sala para que jovens do partido possam de roupa social, terno e gravata brincarem de gestores de políticas públicas de juventude consumindo o café, a água e o condicionador de ar das repartições públicas de nosso Estado.

     Desmembraram-se nesse governo as secretarias de Cultura e Turismo, divergindo de uma lógica carlista que entendia a nossa cultura como elemento puro e simples de atração de turistas a fim de alimentar os cofres públicos de governo e prefeituras; criei esperança de uma política verdadeira de cultura, desenvolvimento cultural, no entanto o que recebemos de cara foi um Sr. Márcio Meirelles que por mais apelos que se fizessem pela sua exoneração, o governador relutava para não dar o braço a torcer. E qual é a nossa valorização de cultura? O que traz e deixará os governos Wagner como herança de formulação cultural?

     Por fim, sua reeleição casada a um carlista de primeira linhagem (Sr. Vice governador Otto Alencar, antes do PP – Partido Progressista e agora dono dessa “empresa fantasia” PSD – Partido Social Democrático que nada mais é do que um PMDB sem ideologia e com sede de cargos nos mais variados governos sejam esses de partidos tido de direita ou tidos de esquerda. E ainda a submissão a avanços que o PT poderia ter tido a fim de nomear e espalhar nos órgãos e espaços de governos os P.G’s – Parasitas de Gabinetes das demais siglas, como por exemplo ao recuar sem ao menos dar uma palavra de solidariedade ao deputado estadual e fundador da sigla Rosemberg Pinto para agradar a vaidade do Sr. Marcelo Nilo, ex – PSDB e hoje PDT para que o mesmo se reelege ad infinitum.

     Eu poderia discorrer por horas sobre os equívocos desse pseudo governo. Os equívocos do governador em 2008 quando impôs a candidatura do Sr. Walter Pinheiro a prefeitura em desmerecimento a uma candidatura mais forte e viável do deputado Nelson Vicente Portela Pelegrino e ainda a subida do governador nos palanques de João Henrique – PMDB que depois deu forças ao Sr. Geddel Vieira Lima de ser candidato a governador em 2010 contra o próprio Wagner; a subida ao palanque do Sr. Antônio Imbassahy do PSDB e por fim e não com menor intensidade, por que não falar da demissão de Geraldo Simões da maneira que foi e da tentativa de acariciá-lo nomeando sua esposa para suplente (segunda suplente) de Senado na chapa de Lídice da Mata e Souza? Por que não falar do desrespeito ao homem e companheiro Zezéu Ribeiro e sua demissão da maneira que ocorrera e ainda da tentativa desrespeitosa de jogá-lo no Tribunal de Contas a fim de matar e enterrar a vida pública daquele que era candidato ao governo contra ACM quando ser candidato era tarefa e não simples prazer e muito menos certeza de vitória? E óbvio quem me conhece sabe que não deixaria de citar, o que dizer da forma grossa, desumana, animalesca e covarde e preconceituosa com a qual se jogou doutor Waldir Pires para fora da chapa do senado em prol de um Sr. César Borges que não veio e compôs com Geddel contra o governador e o PT e depois quando decidiu acolher o que a militância queria que era um senador do petista, adotou e tirou da cartola um Walter Pinheiro que quando o PT precisou votava contra e ia a sindicatos e imprensa dizer que era contra e ameaçou sair da sigla e ir fundar  o Partido do Socialismo e Liberdade. E doutor Waldir Pires, fiel ao PT, fiel aos seus ideais, firme na luta contra o carlismo e a sua voracidade teve que ler na imprensa coisas do tipo “governador prefere construir um busto em homenagem ao ex – governador Waldir Pires do que tê-lo como companheiro de chapa”, mas depois souberam ir atrás dele pedir que declarasse apoio a essa chapa.

     Recordo-me de dias antes da eleição de uma reunião na Casa do governador – Palácio de Ondina, a qual fiz parte com diversas lideranças do Movimento Negro onde dissemos que não apoiaríamos e nem votaríamos em Walter Pinheiro e por isso fizemos campanha para Lídice da Mata – 400 e Edvaldo Brito 147 por recusar as imposições do governador que desde sempre mostrou desrespeito ao PT, seus filiados e membros históricos.

     Saio do PT com inúmeras críticas ao governo estadual. Reconheço no PT ainda alguns companheiros aos quais são merecedores de meu respeito e admiração. Não saio do PT atirando para todos os lados, dizendo que todos não prestam e são mensaleiros, traidores e coisas do tipo. Saio sabendo que muito aprendi, desenvolvi e ensinei. Saio sabendo que inúmeras amizades e inimizades fiz mais que tudo valeu a pena porque minha alma – para parafrasear o poeta – nunca foi pequena. É uma decisão dura. É ainda dura a escrita dessa carta e do pedido de desfiliação e sua entrega na Sede do PT e no Tribunal Regional Eleitoral – TRE e sua publicação em meu Blog – www.blogdolawaraujo.blogspot.com e minhas páginas nas redes sociais: no facebook e ainda repartir essa informação no meu twitter. Disse diversas vezes a amigos e a mim mesmo que quando morresse teria em cima de meu caixão a bandeira do PT aliada a do meu time, o Esporte Clube Vitória. Entretanto, alguém já disse que nada era para sempre e eis que o final que não imaginei que ocorresse, ocorrera. Tive que com dor jogar fora jornais, cartazes, bandeiras, livros e cadernos de resoluções de coisas que defendi mesmo quando discordava por pensar que o PT era maior do que tudo. E querem saber a verdade? O PT é maior do que as coisas mesquinhas tais qual Jaques Wagner e seu pífio governo. Mas por desacreditar no governo em primeiro e absoluto e irrestrito lugar e por também não ver mais a estrela brilhar e desacreditar no partido e na maioria dos homens e mulheres dessa legenda que de maneira submissa se mantém refém desse medíocre governo e forma de fazê-lo me despeço da legenda por não aguentar mais lutar só contra os que negaram seus próprios ideais.

     Agradeço a acolhida, a vivência e a fantasia que me deram e na qual quis acreditar por algum tempo e depois, sabendo da realidade, alimentei no diálogo para fora enquanto dentro sabia que deveríamos viver de uma aparência de radical, revolucionário e de diferente dos demais. Eu particularmente e algumas pessoas que conto nos dedos das mãos somos diferentes. Mais a maioria não se distingue em nada dos que estão em outras siglas – conservadoras e que servem como moeda de troca de tempo de TV e rádio – e pessoas das mais baixas espécies. Hoje, e não só eu que digo os maiores articulistas petistas, próximos e ex – filiados é que dizem e escrevem visto o último artigo de Mino Carta e as declarações do ex – governador gaúcho Olívio Dutra, o PT não se diferem em nada mais do PSDB e do PMDB. O PT e seus governos não fazem além do necessário e não querem ir além para manter a mesma estrutura que outrora negara mais que hoje abraça. O sentido de democracia dia a dia se perde para que seja feita a vontade do Sr. Luiz Inácio Lula da Silva e olha que um dia lembro-me de ouvir no meu recrutamento (coisa antiga ? Desatualizado no PT de hoje; recrutamento este feito por Nelson Pelegrino e Sandra Gama, ambos ex – Força Socialista e hoje Esquerda Democrática e Popular) dizerem que Lula era apenas um voto igual a mim. E hoje Lula é uma imposição. Um peso nesse partido. Relembremos a imposição ainda que vitoriosa do Sr. Fernando Haddad em São Paulo em detrimento da ministra Marta Suplicy; do caso da ex – senadora Serys Slhessarenko; do deputado Maurício Rands em Pernambuco e da absurda candidatura imposta do senador Humberto Costa em Recife e do Senador e ex – governador Wellington Dias em Teresina, ridicularizando até mesmo estes companheiros expondo-os as essas falidas campanhas. Sem obviamente deixar de destacar que Lula passou a valer mais que uma prévia que ele enfrentou contra o senador Eduardo Suplicy em 2002 quando impôs o nome de Dilma Vana Rousseff em detrimento de um debate que poderia ter ocorrido no seio do partido com nomes valorosos como o da companheira e ex – senadora e ex – ministra Marina Silva, do senador Paulo Paim e quem mais quisesse se lançar para o debate de ideias. O mesmo modelo que ocorrerá na Bahia quando o governador resolver impor um nome contra todo e qualquer debate que possa se pensar em formar em torno de nomes como de José Sérgio Gabrielle, Luiz Carlos Caetano, Moema Gramacho e o que ele – o governador – já insinua como atrativos aos seus olhos azuis Rui Costa e/ou Walter Pinheiro ou ainda quem sabe, sem que ninguém espere mais esteja pronto afazer a defesa um nome de fora como Otto Alencar que não era candidato a nada mais que declara esperar hoje ser senador ou um sempre reeleito Marcelo Nilo. No entanto com minha saída agora, não viverei e nem sofrerei esse tormento. Não verei mais de dentro a descaracterização do partido ao qual dediquei crença, confiança, amor e esperança e para o qual dispus de meu melhor, em tempo, ideias perdendo até namorada que afirmava que eu pensava mais no PT que nela. Foram sábados de reuniões e domingos também. Foram noites saindo tarde da Ladeira da Independência e da Mouraria e do Tororó e ainda longas viagens à Brasília, São Paulo e pelo interior do Estado na defesa desse partido, dos mandatos, homens e mulheres dessa agremiação política sem nada em troca receber. Porém sempre disposto a ceder à luta que cria valer à pena e hoje mais do que ontem vejo não ter sentido e nem muito menos valor.

     No entanto não só de críticas viverá a minha carta de despedida. Agradeço a amigos que militaram comigo, que me respeitaram e acreditaram em mim e aqueles que comigo brigaram e serviram como instrumento para que me mantivesse ativo na luta interna e externa, mais interna que externa já que vivemos num verdadeiro “Butantã” vermelho. Obrigado aqueles que ao longo dessa caminhada morreram e deixaram ensinamentos, mesmo que fosse o ensinamento de nunca faça isso que ele fez.

     Agradeço aos que me acompanharam quando quis entrar no PT, os que vieram no primeiro momento Romário Santos Júnior, Thiago Americano, Thalisson Coutinho e Thiago Sodré e o que veio depois Rodrigo Coelho; Agradeço a Sandra Gama, Marta Rodrigues, Nelson Pelegrino, Mário Scaldaferry, Augusto “Marvin” e ao conjunto da EDP; Obrigado a Construindo Um Novo Brasil – CNB pela acolhida e crédito. Obrigado a Zezéu Ribeiro, doutor Waldir Pires, Thiagão Carvalho e Thiago Rios e Luciene Reis e Gilberto Leal e a Fernanda Mattos, obrigado a Juliana Borges da CNB nacional; Obrigado ao Comandante José Dirceu da Silva de Oliveira e aos companheiros guerreiros Benedita da Silva e José Genoino e até quem já havia dado o primeiro passo sentido à porta da rua como a companheira Marina Silva; Obrigado a Lila, Nando e aos demais dos setoriais de Cultura, Meio Ambiente, Educação e Combate ao Racismo – estes dois últimos que militei, os dois primeiros admirei e apóie. Obrigado a Débora Cristina pelos papos, pelas risadas e por compartilhar da irritação ante a tantos dirigentes idiotas, medíocres e quem o Estatuto do partido que dirigem sequer conhecem. Obrigado a dona Reni e família. Obrigado aos vigilantes da sede do PT a exemplo de Anderson. Obrigado a Sassá pelos risos. Obrigado ao companheiro Bruno Costa do PT e do Movimento PT – e aos demais companheiros e companheiras do Movimento PT, corrente que sempre tive um carinho – pelos apoios e pela luta; Obrigado a todos que filiei e cujas fichas abonei, perdão por depois de levá-los sair. Um abraço a Ednaldo Minervino do PT de Alagoas e a Rubens Camelô do PT de Belém do Pará e Lilian Lima do PT de Seabra / Palmeira dos Índios / Bahia. Obrigado a todos os petistas da minha sempre importante Universidade Católica do Salvador – UCSal e um abraço agradecido aos petistas das UNEB’s, da UESB e UESC e UEFS a exemplo de Rogério Cedraz. Obrigado aos/as professores/as que se mantém firmes na luta e agradeço na pessoa da combativa companheira professora Edenice Santana. Obrigado a Almir “Odun – Ará” pelos papos, pelas confabulações que em lugar algum chegou e nem chegaria. Obrigado a Tárcito Fernando Vivas e a Laina Crisostomo. E um obrigado especial a José Edízio Nunes que me ensinou a conhecer do Estatuto e história do PT.

     E em um parágrafo separado e especial: Obrigado a Cristina Lobo. Quando eu era da EDP aprendi a não gostar de Cris Lobo porque ela era a Articulação Unidade na Luta / Campo Majoritário em pessoa. Sai fogo dos olhos de Cristina quando defendia a Articulação dos 113. Ela era sozinha os 113 numa articulação que dava certo. Depois amadureci e a conheci melhor e vi quem era essa mulher que igual a mim era sonhadora e apaixonada por esse partido que mais mal nos fez do que bem. Cuida-se garota, juízo. Sai do PT porque ele já saiu de você e de seus ideais há muito tempo. Obrigado por tudo; todas as conversas, viagens em terra e no ar. Obrigado pelos almoços e pelos petiscos no bar do Dias aonde tudo vai a dias bons e ruins.

     Aos que mal fiz peço perdão até por ser um ensinamento do meu Senhor e Salvador Jesus Cristo. Obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, obrigado, 13 vezes obrigado. Veremos-nos nas lutas raciais e sociais e educacionais. Aguardo as críticas e reclamações no meu blog quando escrever contra esse governo e os erros futuros. Certamente nos esbarraremos em restaurantes e festas. Acabou o vínculo partidário, mas não a amizade e o campo do respeito estará sempre delimitado e a bandeira do respeito de pé.

     Aos que ainda acreditam por mais pouco que seja – porque nem eu sei mais o quanto creio em que e em qual quantidade – nos ideais que nos uniram, disse um dia Ernesto Che Guevara, se nos comovêssemos com a mesma dor seriamos companheiros em qualquer parte desse mundo e das suas Américas. Como sempre gostei de citar o Pastor Martin Luther King Júnior – “Eu tenho um sonho” e sei que alguns que ficam, os que saíram e os que sairão também o têm. E veremos realizados.

     Porém não poderia deixar de na minha saída lembrar que:

“As leis não bastam.
Os lírios não nascem da lei,
Meu nome é tumulto
E escreve-se na pedra”

Carlos Drummond de Andrade.

sábado, 13 de outubro de 2012

Todos Juntos na Hora de Defender Salvador?

Chegando hoje (sábado 13/10) em casa no bairro do Uruguai, ao me dirigir ao Mercado para fazer compras, deparei-me com esse carro com essa plotagem. Não acreditei no que vi, ri e não resisti, fotografei. Seria essa a ideia do povo da cidade, "todos juntos para defender Salvador"?As Urnas dirão.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Tenho Medo

Tenho Medo*

     O poeta Lenine – permita-me assim chama-lo em sua canção “Miedo” diz dentre outras coisas: “Tenho medo de parar e medo de avançar, tenho medo de amarrar e medo de quebrar, tenho medo de exigir e medo de deixar, medo, que dá medo do medo que dá...” Eu também tenho medo. Medo dessa política – campanha – calcada no medo, do amedrontamento de pessoas que tem e que não tem consciência política.
    Em 1989 o Brasil vivia sua primeira eleição pós Ditadura e o medo – que já não era pequeno nos anos de chumbo – voltara a imperar naquela eleição. Diziam “Se Lula for eleito, tomará as fazendas dos fazendeiros e distribuirá no que ele chamará de ‘reforma agrária’”; “Se você tiver dois apartamentos, um será tomado”; “Lula é comunista e comunista come criancinha”. Anos se passaram e o medo continuou a ser a arma que faz com que as pessoas não avancem como diz Lenine. A esquerda dizia “Eles vão vender o Brasil” e a direita afirmava “Eles vão dá o calote e transformar isso aqui em Cuba”. Em 2002 o tucano José Serra usou a atriz global – sempre a globo e os seus – Regina Duarte, a eterna Viúva Porcina, no horário político para que ela dissesse sobre Lula “- Eu tenho medo”.  Lembro-me de ter visto uma deputada baiana comunista na TV Record Bahia em um programa de televisão do meio dia enfurecida dizer que Regina Duarte “não era mais a namoradinha do Brasil”. Vi ódio nos olhos dos que não se conformavam com a política do medo que Regina usara ao bel serviço de Serra e do tucanato.
     Lembro-me de crescer vendo ACM usar essa tática e todos se lembrando de quando Lídice da Mata e Souza foi prefeita e perseguida. Agora, para meu medo e espanto, Lula, o maior democrata (?) do país vem a Salvador e ao invés de projetos e propostas concretas, de fazer a meia culpa e mostrar a realidade usa da política do medo para tentar elevar seu candidato ao segundo turno e assim fazê-lo vencer o candidato que está na frente. Não sou Neto, não voto nele e nem o apoio. Mas cá entre nós, o medo é o caminho? Segundo ainda, a opinião de Lenine, “... o medo é uma brecha que fez crescer a dor...”. Salvador já sente inúmeras dores – dor de parto, dor de Cruz – e não merece mais essa dor. Precisamos de fato e de verdade de debate de ideias. Eu não quero saber que um disse que ia dar uma surra – surra até hoje não dada – no presidente (hoje ex) da República; Eu não quero saber quem disse sim e quem disse não. Eu, como soteropolitano e apaixonado por minha terra quero saber quem vai fazer por essa cidade.
     O reverendo pastor Martin Luther King Júnior disse um dia “Eu tenho um sonho...” e eu também o tenho. Sonho com um país maduro, consciente politicamente de seu voto. Sonho com um país onde candidatos andarão nos bairros e cidades debatendo projetos e propostas viáveis. Um dia Gonzaguinha disse “É, agente não tem cara de panaca...”. Eles – direita (ainda há?), esquerda (um dia houve?) precisam entender isso. Por favor, não digam que para ser prefeito tem que ser do partido do governador e da Presidenta porque o partido do Lula só chegou ao poder em 2003 e antes disso Erundina foi uma excelente prefeita para São Paulo e outras cidades – lembram-se do O.P do PT em Porto Alegre? – foram também sem alinhamento estadual e/ou federal geridas pelo PT. A pergunta que faço é: Se Neto ganhar, Dilma, que sofreu com a Ditadura vai perseguir Salvador por Neto ser do DEM? Wagner que prega a democracia e o respeito aos aliados e diz que Salvador o acolheu quando fugindo da Ditadura para cá veio, perseguirá Neto como ACM fez com Lídice e tantos outros? “É a volta do cipó de arueira no lombo de quem mandou dar” – só para não dizer que não falei em Chico Buarque de Holanda – onde Salvador sem metrô, asfalto, iluminação, saúde e educação e reparação racial terá que pagar? Senhor Lula, política do medo não. Eu tenho medo de que Salvador nunca mude – olha Chico Buarque ai de novo – mais eu não posso ter medo e votar sob a ordem do “coroné”. Chega de medo! “Medo de fugir da raia na hora H, medo de morrer na praia depois de beber o mar, medo, que dá medo do medo que dá.” Ideias candidatos. A mesmice não nos eleva.

*Law Araújo
Professor Licenciado em Letras Vernáculas pela UCSal, graduando de História Licenciatura pela UCSal, Blogueiro (www.blogdolawaraujo.blogspot.com) e filiado ao PT de Salvador – licenciado durante essas eleições.  

segunda-feira, 16 de julho de 2012

COMUNICADO: Me licenciei hoje do PT

Depois de muito refletir e ante uma necessidade particular, protocolei na data de hoje 16 de julho de 2012 na Sede do Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores - PT o meu pedido de licença temporária com data final em 31 de dezembro de 2012. O que portanto, ocorrerá depois das eleições, me deixando desobrigado de marchar com o partido nessas eleições municipais.

A conjuntura pessoal e coletiva - jeito de Wagner governar e tratar os professores, a coligação feita em torno de Nelson Pelegrino, a ausência de debates de ideias e uma hegemonia pura e simplesmente baseada na hegemonização - me fazem refletir e me licenciar. Todos que me conhecem sabem que amo o PT. Não estou saindo, jogando a toalha, me desfiliando. Estou me licenciando, o Estatuto me garante esse direito e assim o fiz.

Salvador, Bahia, 16/7/2012

Lázaro Araújo (LAW)

militante da 9ª Zonal (por opção de militância) cadastrado no TRE como 18ª zonal, PT/Salvador-Bahia-Brasil.