Osvaldo Lyra-EDITOR DE POLÍTICA
O prefeito de Camaçari, Luiz Caetano, foi obrigado a retornar mais cedo da viagem ao exterior devido à faxina feita por sua vice, Tereza Gifoni. Após arrumar a casa (gestão), voltou a se preocupar em arregimentar o batalhão de pretensos apoiadores de sua virtual candidatura em 2014, sucedendo o governador Wagner. O petista admite que a condução da UPB está projetando-o junto aos prefeitos e vereadores.
Inclusive, ele aproveita esta entrevista à Tribuna para apontar necessidades para o Estado, sobretudo para o desenvolvimento de Salvador e Região Metropolitana, que, segundo disse, necessitam de uma atenção maior do governo do Estado.
Tribuna – A faxina que sua vice, Tereza Gifoni, fez forçou o seu retorno antecipado da Europa. Ela conseguiu manchar sua gestão?
Luiz Caetano – Não. Primeiro que ela não fez faxina nenhuma. Ela criou factoides. Eu dei oportunidade à oposição. Fiz isso porque tenho confiança na minha equipe. Ela, ao invés de aproveitar a oportunidade para mostrar que tinha capacidade de governar, não. Ficaram perdidos e apelaram para fazer uma coisa irresponsável, sem medir as conse- quências. Como é que o prefeito está no exterior, o vice assume e, numa sexta-feira, exonera um secretário de Saúde de uma cidade que tem 250 mil habitantes, 340 médicos? Isso tudo era para quê? Para tentar desmontar a gestão, tentar criar uma crise, sem ao menos se preocupar com a saúde do cidadão. Imagine se tivesse ocorrido um acidente de grandes proporções naquele fim de semana. Criaria uma instabilidade. Tanto que eu não dei nenhuma declaração e pedi que ninguém falasse nada para não atiçar, para que, quando eu chegasse, pudesse retomar as coisas.
Tribuna – Como vê o comportamento dela? Terá coragem de deixá-la no cargo por dez dias novamente?
Caetano – Dez dias, não, mas se tiver eu alguma agenda importante, não vou pensar duas vezes, vou ter que ir, até porque confio na minha equipe. E também ficou provado que ela não tem competência. Ela mesma disse: ‘Eu quero aparecer, eu vou aparecer. Eu vou criar motivos para aparecer’. E aquilo ali era só factoide mesmo, só foi coisa para ela aparecer. Tem tanta forma de aparecer sem prejudicar o povo, não é?
Tribuna – O governador Jaques Wagner (PT) citou seu nome como possível sucessor dele em 2014. Como viu essa declaração?
Caetano – Ser citado pelo governador Wagner, que é o maior líder da Bahia, que faz um governo fantástico, então, é motivo de orgulho e de alegria para a gente. Não vou mentir, comemorei. Agora, do mesmo jeito que o governador deu a entrevista a você, eu lhe digo, como ele mesmo falou, é muito cedo. Temos 2012 pela frente, temos que consolidar durante este período o próprio governo Wagner, temos que realmente trabalhar 2012. Depois de 2012 é que vamos pensar 2014. Então, para mim, estou feliz, mas tenho certeza de que essa questão vai depender muito das conversas com o PT, das conversas com os partidos aliados, que têm que ser ouvidos nesse processo. Daí, vamos juntos, com a liderança do governador, escolher qual é o nome que vai sucedê-lo.
Tribuna – O senhor já está se movimentando, sobretudo no interior, justamente para se viabilizar politicamente, não é?
Caetano – O que é que eu estou fazendo no interior? Estou fazendo aquilo que na campanha para presidente da UPB eu disse que faria: interiorizar a UPB, fortalecer o municipalismo, criar uma agenda nova na Bahia. É isso que estou fazendo. Estive, inclusive, ontem (sexta), em Vitória da Conquista, com 21 prefeitos e muitas lideranças, cerca de 500 pessoas. Vou fazer muito mais eventos como este. Consequentemente, em todo lugar que eu chego fazem essa pergunta, mas eu teria que fazer isso. Se não, diriam: ‘Caetano foi para a UPB e a UPB ficou a mesma coisa’. Você que é jornalista competente e sério, diz assim: ‘A UPB de hoje é diferente da UPB do passado’. A UPB de hoje é uma entidade que está inserida no processo político e administrativo do estado e nós estamos fazendo isso com muito carinho. Se a consequência disso é aparecer, aí paciência, não é? Todo mundo está se movimentando.
Tribuna – A presidência da UPB pode lhe dar um impulso muito grande, não é?
Caetano – A presidência da UPB está me dando impulso. Agora, está me dando porque eu estou fazendo. Se eu não estivesse fazendo nada na UPB, eu estaria sendo criticado e esquecido por todo mundo. Como eu estou fazendo, estou movimentando a Bahia toda... O menor encontro que eu fiz teve cerca de 350 pessoas. Teve encontro que chegou a ter quase mil pessoas, como foi em Porto Seguro. Para você botar 500, 600 pessoas num encontro, prefeito, vice-prefeito, secretários, vereadores, presidente de Câmara, não é fácil. Obviamente, essa é uma agenda muito acertada que estamos fazendo no estado da Bahia.
Tribuna – O que pretende fazer para se viabilizar dentro do próprio PT e com os aliados?
Caetano – Eu sou um militante do partido (PT), sou dirigente do partido. O PT tem uma afinidade muito grande comigo e eu com o PT, com todas as correntes, não tenho nenhum problema. Não vou forçar barra nenhuma, não vou discutir isso agora, vou deixar as coisas acontecerem normalmente. Se, lá na frente, meu nome estiver colocado, aí nós vamos sentar com todo o PT e discutir. Obviamente, a primeira discussão será dentro do PT, mas não é só o PT que faz parte da frente. O PT é o partido mais forte, é o partido que está à frente do governo do estado, mas temos outros partidos e todos têm que ser ouvidos. Não é só o PT que tem que ser ouvido num processo como este.
Tribuna – Acredita que a briga por espaços entre os partidos governistas para 2012, sobretudo em Salvador, pode fragilizar a base aliada para 2014?
Caetano – Acho não. Até porque acredito que a briga está sendo errada. Acho que Salvador está precisando de uma briga diferente. Aqui vai uma opinião minha, como um gestor com a experiência que eu tenho. A briga em Salvador é uma briga, em primeiro lugar, sobre a Salvador que nós queremos. Salvador está muito sofrida, está muito mal- tratada. Primeiro é preciso que o próprio governo do Estado, através da Conder ou da Seplan, coloque uma agenda nova para a Região Metropolitana. Nós vivemos num fluxo migratório enorme para a RMS, que está inchada. Eu fiz um seminário em Camaçari chamado Metropolização do Desenvolvimento. A ideia central minha era puxar todos os gestores da RMS e do governo do estado para nós criarmos uma agenda moderna para a região. Não temos apenas a questão da mobilidade. Nós precisamos fazer um desenho arquitetônico urbanístico para a área porque a expansão natural se dá no Litoral Norte, tendo a ponte (Salvador-Itaparica), também para a Ilha. É importante que a ponte venha. Como é que nós vamos trabalhar esse desenho do Litoral Norte, da expansão imobiliária, da expansão do Recôncavo? Então, nós vamos pensar isso.
Tribuna – E aí?
Caetano – Eu acho que um dos candidatos ou o PT ou o próprio governo precisa assumir a liderança desse processo, dessa discussão. Não adianta ficar falando: ‘É fulano, é cicrano, é Pelegrino’. Vamos fazer um debate forte sobre isso. Por exemplo, nós não podemos ter uma orla como a de Salvador. Está horrível. É a pior orla do Nordeste. Eu fui a Recife, eu fui a Maceió, e é uma vergonha a orla de Salvador. Nós temos que resolver o problema do Pelourinho imediatamente. Isso é simbólico para nós. Precisamos de mais hotéis aqui dentro (de Salvador), de mais pousadas, de mais resorts. Precisamos resolver isso e deixar de negócio de muita conversa, que é importante a Copa do Mundo. A Copa é importante, sim. Quer queira, quer não, a Copa vem e temos que ser práticos nisso.
Tribuna – Acredita que o governador Wagner estaria pecando em não assumir esse protagonismo?
Caetano – O Wagner é uma figura profundamente ética, eu inclusive conversei isso com ele e ele disse: ‘Mas, Caetano, eu não posso passar por cima dos prefeitos e tal’ e eu disse: convide os prefeitos, vamos chamá-los para uma agenda desse tipo. Nós precisamos ter uma agenda dessa e o Wagner está sensível a isso. Eu tenho certeza que ele vai, mais cedo ou mais tarde... Ele está conversando com cada um para assumir esse comando, como ele tem sempre assumido, para que a gente possa fazer um negócio fantástico aqui nesta cidade. Essa cidade é belíssima, a Bahia é belíssima. O Wagner está fazendo um grande governo, mas tem certas coisas que são simbólicas. A orla de Salvador é simbólica, o Pelourinho é simbólico. O Litoral Norte hoje é uma grande simbologia, o Recôncavo é uma grande simbologia.
Tribuna – Você faz uma análise que se aproxima muito de críticas da oposição, justamente sobre a falta de ações em pontos importantes para o Estado, importantes para o desenvolvimento de Salvador...
Caetano – A oposição teve o governo o tempo todo e não fez nada. Não teve essa visão. Sempre falaram em modernidade, mas nunca foram modernos em nada. Ser moderno é agir, é mostrar. O Wagner está fazendo isso na Bahia inteira, por isso que ele foi reeleito. Eu estou acrescentando isso aqui, não estou fazendo uma crítica, estou colocando um desenho de quem está no dia a dia numa cidade importante da região metropolitana que está sofrendo com o fluxo migratório do ponto de vista administrativo. Eu acho que precisa fazer esse ajuste e esse ajuste eu tenho certeza de que o governo vai fazer. É importante para o Estado da Bahia.
Tribuna – Acredita que o PT, dentro dessa estratégia do governador de se lançar candidato à Câmara, vai conseguir uma candidatura forte, que agregue?
Caetano – Primeiro tem que pensar por que que Wagner colocou isso tudo. O Wagner é muito experiente, é muito competente. É um grande líder. Então, quando o Wagner coloca uma situação dessa, três anos antes da eleição, você precisa pensar um pouco porque ele não colocou isso por acaso. Se for esse o desenho que ele está dizendo agora, ele está tendo uma visão importante de que o PT deva continuar colocando candidato na (chapa) majoritária, a governador, e abrindo espaço para fortalecer os aliados. É uma visão interessante, é uma estratégia interessante, porque abre espaço para todo mundo, não é verdade? Tinha gente que estava dizendo: ‘Não, porque tem que ser o governador do PT e o senador do PT’. Não dá. Concordo com o governador. Se o candidato a governador for do PT, o senador tem que ser de outro partido, o vice tem que ser de outro partido, para que a gente possa fortalecer todos. Quando você forma uma aliança, tem que ser uma aliança boa para todo mundo. Não pode só um partido ganhar e os outros não ganhar, não participar do processo. Então, se esse for o desenho, é interessante.
Tribuna – O PDT colocou que Marcelo Nilo é o candidato do partido para suceder Wagner. Acredita nessa possibilidade?
Caetano – Acho Marcelo um excelente quadro. O PDT está correto quando coloca o nome para o debate, mesmo porque tanto Marcelo quanto o PDT sabem que colocar nome agora é mais para debater, para conversar, para discutir e, assim como Marcelo é um excelente nome, a Lídice (da Mata – PSB) é um excelente nome para o governo, do PT já foram colocados quatro nomes pelo próprio governador. Eu acho que isso é mais uma tarefa que nós vamos decidir lá na frente quem vai ser “o candidato”. Eu acho que os partidos aliados não têm nenhum demérito ao colocar seus nomes para serem apreciados pela sociedade. Tem Otto (Alencar, vice-governador) também, que é um ótimo nome do PSD.
Tribuna – Colbert Martins foi preso pela Polícia Federal, assim como você também foi. De que forma viu o episódio?
Caetano – Eu fiquei muito preocupado porque Colbert é uma pessoa que todo mundo respeita aqui na Bahia. É um homem sério e, de repente, acontece um fato desse. Eu acho que houve exagero. Eu discordo desse método. Eu acho que primeiro tem que dar direito à defesa. Acho que o papel da Polícia Federal (PF) é importantíssimo, tem que realmente jogar pesado para combater a corrupção, mas tem que ver o contraditório antes de uma ação tão radical quanto prender, algemar, tirar a roupa, divulgar fotografia dele nu pelo Brasil inteiro. É uma imagem que fica na cabeça do povo. Eu sei o que passei. Fui preso sem ser denunciado por ninguém. O Ministério Público não me denunciou, ninguém me denunciou e eu fui preso. Passei dias amargurados na minha vida. Passei três anos para provar que eu não tinha culpa de nada na Operação Navalha (da PF). Eu acho que é preciso mudar esses métodos, mas continuar firme no sentido de investigar, apurar e também, quando confirmado, prender quem realmente seja necessário prender.
Tribuna – As mudanças no Planserv podem de alguma maneira arranhar a imagem do governador com o funcionalismo público?
Caetano – Eu acho que precisa ser mais discutida essa questão através do estado. Aprofundar mais esse debate, ter mais transparência. Mas eu tenho certeza de que não vai ter arranhões piores com o governo do estado, não. Até porque, o governo não governa apenas para o funcionalismo público, mas para toda a sociedade. E o governador está muito preocupado com a situação de crise pela qual passa o mundo. O governador Wagner está muito com os pés no chão com relação a isso.
Tribuna – A deputada Luiza Maia (PT) tem ganhado destaque com o projeto antibaixaria. Você assina em baixo?
Caetano – Sim. A Luiza é fantástica, é uma feminista de carteirinha, ela luta há muito tempo. A Luiza tem convicção do que está fazendo, ela é preparada. A Luiza vai trazer muita surpresa para a Assembleia Legislativa da Bahia. Já apresentou dois projetos bons, polêmicos, e vai apresentar diversos outros. É muita positiva essa agenda que ela está fazendo. Também tem que desmistificar um pouco porque o pessoal fica dizendo que Luiza é contra pagode. Ela não é contra pagode coisa nenhuma. Luiza está defendendo uma coisa em que ela acredita, que é a valorização da mulher, o respeito à mulher. Quem tenta misturar esse negócio, denegrir esse negócio é uma mistura equivocada e machista. Ela não tem nada contra o pagode. Pagode também é uma coisa cultural. Eu mesmo sou regueiro, gosto de reggae.
Colaboraram: Fernanda Chagas e Romulo Faro
(Tribuna da Bahia)
Inclusive, ele aproveita esta entrevista à Tribuna para apontar necessidades para o Estado, sobretudo para o desenvolvimento de Salvador e Região Metropolitana, que, segundo disse, necessitam de uma atenção maior do governo do Estado.
Tribuna – A faxina que sua vice, Tereza Gifoni, fez forçou o seu retorno antecipado da Europa. Ela conseguiu manchar sua gestão?
Luiz Caetano – Não. Primeiro que ela não fez faxina nenhuma. Ela criou factoides. Eu dei oportunidade à oposição. Fiz isso porque tenho confiança na minha equipe. Ela, ao invés de aproveitar a oportunidade para mostrar que tinha capacidade de governar, não. Ficaram perdidos e apelaram para fazer uma coisa irresponsável, sem medir as conse- quências. Como é que o prefeito está no exterior, o vice assume e, numa sexta-feira, exonera um secretário de Saúde de uma cidade que tem 250 mil habitantes, 340 médicos? Isso tudo era para quê? Para tentar desmontar a gestão, tentar criar uma crise, sem ao menos se preocupar com a saúde do cidadão. Imagine se tivesse ocorrido um acidente de grandes proporções naquele fim de semana. Criaria uma instabilidade. Tanto que eu não dei nenhuma declaração e pedi que ninguém falasse nada para não atiçar, para que, quando eu chegasse, pudesse retomar as coisas.
Tribuna – Como vê o comportamento dela? Terá coragem de deixá-la no cargo por dez dias novamente?
Caetano – Dez dias, não, mas se tiver eu alguma agenda importante, não vou pensar duas vezes, vou ter que ir, até porque confio na minha equipe. E também ficou provado que ela não tem competência. Ela mesma disse: ‘Eu quero aparecer, eu vou aparecer. Eu vou criar motivos para aparecer’. E aquilo ali era só factoide mesmo, só foi coisa para ela aparecer. Tem tanta forma de aparecer sem prejudicar o povo, não é?
Tribuna – O governador Jaques Wagner (PT) citou seu nome como possível sucessor dele em 2014. Como viu essa declaração?
Caetano – Ser citado pelo governador Wagner, que é o maior líder da Bahia, que faz um governo fantástico, então, é motivo de orgulho e de alegria para a gente. Não vou mentir, comemorei. Agora, do mesmo jeito que o governador deu a entrevista a você, eu lhe digo, como ele mesmo falou, é muito cedo. Temos 2012 pela frente, temos que consolidar durante este período o próprio governo Wagner, temos que realmente trabalhar 2012. Depois de 2012 é que vamos pensar 2014. Então, para mim, estou feliz, mas tenho certeza de que essa questão vai depender muito das conversas com o PT, das conversas com os partidos aliados, que têm que ser ouvidos nesse processo. Daí, vamos juntos, com a liderança do governador, escolher qual é o nome que vai sucedê-lo.
Tribuna – O senhor já está se movimentando, sobretudo no interior, justamente para se viabilizar politicamente, não é?
Caetano – O que é que eu estou fazendo no interior? Estou fazendo aquilo que na campanha para presidente da UPB eu disse que faria: interiorizar a UPB, fortalecer o municipalismo, criar uma agenda nova na Bahia. É isso que estou fazendo. Estive, inclusive, ontem (sexta), em Vitória da Conquista, com 21 prefeitos e muitas lideranças, cerca de 500 pessoas. Vou fazer muito mais eventos como este. Consequentemente, em todo lugar que eu chego fazem essa pergunta, mas eu teria que fazer isso. Se não, diriam: ‘Caetano foi para a UPB e a UPB ficou a mesma coisa’. Você que é jornalista competente e sério, diz assim: ‘A UPB de hoje é diferente da UPB do passado’. A UPB de hoje é uma entidade que está inserida no processo político e administrativo do estado e nós estamos fazendo isso com muito carinho. Se a consequência disso é aparecer, aí paciência, não é? Todo mundo está se movimentando.
Tribuna – A presidência da UPB pode lhe dar um impulso muito grande, não é?
Caetano – A presidência da UPB está me dando impulso. Agora, está me dando porque eu estou fazendo. Se eu não estivesse fazendo nada na UPB, eu estaria sendo criticado e esquecido por todo mundo. Como eu estou fazendo, estou movimentando a Bahia toda... O menor encontro que eu fiz teve cerca de 350 pessoas. Teve encontro que chegou a ter quase mil pessoas, como foi em Porto Seguro. Para você botar 500, 600 pessoas num encontro, prefeito, vice-prefeito, secretários, vereadores, presidente de Câmara, não é fácil. Obviamente, essa é uma agenda muito acertada que estamos fazendo no estado da Bahia.
Tribuna – O que pretende fazer para se viabilizar dentro do próprio PT e com os aliados?
Caetano – Eu sou um militante do partido (PT), sou dirigente do partido. O PT tem uma afinidade muito grande comigo e eu com o PT, com todas as correntes, não tenho nenhum problema. Não vou forçar barra nenhuma, não vou discutir isso agora, vou deixar as coisas acontecerem normalmente. Se, lá na frente, meu nome estiver colocado, aí nós vamos sentar com todo o PT e discutir. Obviamente, a primeira discussão será dentro do PT, mas não é só o PT que faz parte da frente. O PT é o partido mais forte, é o partido que está à frente do governo do estado, mas temos outros partidos e todos têm que ser ouvidos. Não é só o PT que tem que ser ouvido num processo como este.
Tribuna – Acredita que a briga por espaços entre os partidos governistas para 2012, sobretudo em Salvador, pode fragilizar a base aliada para 2014?
Caetano – Acho não. Até porque acredito que a briga está sendo errada. Acho que Salvador está precisando de uma briga diferente. Aqui vai uma opinião minha, como um gestor com a experiência que eu tenho. A briga em Salvador é uma briga, em primeiro lugar, sobre a Salvador que nós queremos. Salvador está muito sofrida, está muito mal- tratada. Primeiro é preciso que o próprio governo do Estado, através da Conder ou da Seplan, coloque uma agenda nova para a Região Metropolitana. Nós vivemos num fluxo migratório enorme para a RMS, que está inchada. Eu fiz um seminário em Camaçari chamado Metropolização do Desenvolvimento. A ideia central minha era puxar todos os gestores da RMS e do governo do estado para nós criarmos uma agenda moderna para a região. Não temos apenas a questão da mobilidade. Nós precisamos fazer um desenho arquitetônico urbanístico para a área porque a expansão natural se dá no Litoral Norte, tendo a ponte (Salvador-Itaparica), também para a Ilha. É importante que a ponte venha. Como é que nós vamos trabalhar esse desenho do Litoral Norte, da expansão imobiliária, da expansão do Recôncavo? Então, nós vamos pensar isso.
Tribuna – E aí?
Caetano – Eu acho que um dos candidatos ou o PT ou o próprio governo precisa assumir a liderança desse processo, dessa discussão. Não adianta ficar falando: ‘É fulano, é cicrano, é Pelegrino’. Vamos fazer um debate forte sobre isso. Por exemplo, nós não podemos ter uma orla como a de Salvador. Está horrível. É a pior orla do Nordeste. Eu fui a Recife, eu fui a Maceió, e é uma vergonha a orla de Salvador. Nós temos que resolver o problema do Pelourinho imediatamente. Isso é simbólico para nós. Precisamos de mais hotéis aqui dentro (de Salvador), de mais pousadas, de mais resorts. Precisamos resolver isso e deixar de negócio de muita conversa, que é importante a Copa do Mundo. A Copa é importante, sim. Quer queira, quer não, a Copa vem e temos que ser práticos nisso.
Tribuna – Acredita que o governador Wagner estaria pecando em não assumir esse protagonismo?
Caetano – O Wagner é uma figura profundamente ética, eu inclusive conversei isso com ele e ele disse: ‘Mas, Caetano, eu não posso passar por cima dos prefeitos e tal’ e eu disse: convide os prefeitos, vamos chamá-los para uma agenda desse tipo. Nós precisamos ter uma agenda dessa e o Wagner está sensível a isso. Eu tenho certeza que ele vai, mais cedo ou mais tarde... Ele está conversando com cada um para assumir esse comando, como ele tem sempre assumido, para que a gente possa fazer um negócio fantástico aqui nesta cidade. Essa cidade é belíssima, a Bahia é belíssima. O Wagner está fazendo um grande governo, mas tem certas coisas que são simbólicas. A orla de Salvador é simbólica, o Pelourinho é simbólico. O Litoral Norte hoje é uma grande simbologia, o Recôncavo é uma grande simbologia.
Tribuna – Você faz uma análise que se aproxima muito de críticas da oposição, justamente sobre a falta de ações em pontos importantes para o Estado, importantes para o desenvolvimento de Salvador...
Caetano – A oposição teve o governo o tempo todo e não fez nada. Não teve essa visão. Sempre falaram em modernidade, mas nunca foram modernos em nada. Ser moderno é agir, é mostrar. O Wagner está fazendo isso na Bahia inteira, por isso que ele foi reeleito. Eu estou acrescentando isso aqui, não estou fazendo uma crítica, estou colocando um desenho de quem está no dia a dia numa cidade importante da região metropolitana que está sofrendo com o fluxo migratório do ponto de vista administrativo. Eu acho que precisa fazer esse ajuste e esse ajuste eu tenho certeza de que o governo vai fazer. É importante para o Estado da Bahia.
Tribuna – Acredita que o PT, dentro dessa estratégia do governador de se lançar candidato à Câmara, vai conseguir uma candidatura forte, que agregue?
Caetano – Primeiro tem que pensar por que que Wagner colocou isso tudo. O Wagner é muito experiente, é muito competente. É um grande líder. Então, quando o Wagner coloca uma situação dessa, três anos antes da eleição, você precisa pensar um pouco porque ele não colocou isso por acaso. Se for esse o desenho que ele está dizendo agora, ele está tendo uma visão importante de que o PT deva continuar colocando candidato na (chapa) majoritária, a governador, e abrindo espaço para fortalecer os aliados. É uma visão interessante, é uma estratégia interessante, porque abre espaço para todo mundo, não é verdade? Tinha gente que estava dizendo: ‘Não, porque tem que ser o governador do PT e o senador do PT’. Não dá. Concordo com o governador. Se o candidato a governador for do PT, o senador tem que ser de outro partido, o vice tem que ser de outro partido, para que a gente possa fortalecer todos. Quando você forma uma aliança, tem que ser uma aliança boa para todo mundo. Não pode só um partido ganhar e os outros não ganhar, não participar do processo. Então, se esse for o desenho, é interessante.
Tribuna – O PDT colocou que Marcelo Nilo é o candidato do partido para suceder Wagner. Acredita nessa possibilidade?
Caetano – Acho Marcelo um excelente quadro. O PDT está correto quando coloca o nome para o debate, mesmo porque tanto Marcelo quanto o PDT sabem que colocar nome agora é mais para debater, para conversar, para discutir e, assim como Marcelo é um excelente nome, a Lídice (da Mata – PSB) é um excelente nome para o governo, do PT já foram colocados quatro nomes pelo próprio governador. Eu acho que isso é mais uma tarefa que nós vamos decidir lá na frente quem vai ser “o candidato”. Eu acho que os partidos aliados não têm nenhum demérito ao colocar seus nomes para serem apreciados pela sociedade. Tem Otto (Alencar, vice-governador) também, que é um ótimo nome do PSD.
Tribuna – Colbert Martins foi preso pela Polícia Federal, assim como você também foi. De que forma viu o episódio?
Caetano – Eu fiquei muito preocupado porque Colbert é uma pessoa que todo mundo respeita aqui na Bahia. É um homem sério e, de repente, acontece um fato desse. Eu acho que houve exagero. Eu discordo desse método. Eu acho que primeiro tem que dar direito à defesa. Acho que o papel da Polícia Federal (PF) é importantíssimo, tem que realmente jogar pesado para combater a corrupção, mas tem que ver o contraditório antes de uma ação tão radical quanto prender, algemar, tirar a roupa, divulgar fotografia dele nu pelo Brasil inteiro. É uma imagem que fica na cabeça do povo. Eu sei o que passei. Fui preso sem ser denunciado por ninguém. O Ministério Público não me denunciou, ninguém me denunciou e eu fui preso. Passei dias amargurados na minha vida. Passei três anos para provar que eu não tinha culpa de nada na Operação Navalha (da PF). Eu acho que é preciso mudar esses métodos, mas continuar firme no sentido de investigar, apurar e também, quando confirmado, prender quem realmente seja necessário prender.
Tribuna – As mudanças no Planserv podem de alguma maneira arranhar a imagem do governador com o funcionalismo público?
Caetano – Eu acho que precisa ser mais discutida essa questão através do estado. Aprofundar mais esse debate, ter mais transparência. Mas eu tenho certeza de que não vai ter arranhões piores com o governo do estado, não. Até porque, o governo não governa apenas para o funcionalismo público, mas para toda a sociedade. E o governador está muito preocupado com a situação de crise pela qual passa o mundo. O governador Wagner está muito com os pés no chão com relação a isso.
Tribuna – A deputada Luiza Maia (PT) tem ganhado destaque com o projeto antibaixaria. Você assina em baixo?
Caetano – Sim. A Luiza é fantástica, é uma feminista de carteirinha, ela luta há muito tempo. A Luiza tem convicção do que está fazendo, ela é preparada. A Luiza vai trazer muita surpresa para a Assembleia Legislativa da Bahia. Já apresentou dois projetos bons, polêmicos, e vai apresentar diversos outros. É muita positiva essa agenda que ela está fazendo. Também tem que desmistificar um pouco porque o pessoal fica dizendo que Luiza é contra pagode. Ela não é contra pagode coisa nenhuma. Luiza está defendendo uma coisa em que ela acredita, que é a valorização da mulher, o respeito à mulher. Quem tenta misturar esse negócio, denegrir esse negócio é uma mistura equivocada e machista. Ela não tem nada contra o pagode. Pagode também é uma coisa cultural. Eu mesmo sou regueiro, gosto de reggae.
Colaboraram: Fernanda Chagas e Romulo Faro
(Tribuna da Bahia)
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