Ex-ministro rebateu acusações de revista e disse não ver problema em encontros políticos
Do R7, com Jornal da Record News
Em entrevista, ex-ministro disse que não tem poderes sobre o governo
O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT-SP) rebateu, nesta quinta-feira (1º), em entrevista ao Jornal da Record News, as acusações da revista Veja de que teria conspirado contra o governo da presidente Dilma Rousseff, durante encontros com políticos governistas e da oposição, em Brasília.
- Eu não tenho cargo [no governo], não participo das decisões. Quem sou eu pra influenciar [as decisões do governo]?
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Dirceu admitiu que participa de reuniões com políticos – entre ministros e parlamentares – com frequência, mas negou qualquer irregularidade nos encontros. Ele afirmou que, por ter participado do governo e por ainda fazer parte do PT, é procurado por parlamentares e inclusive governadores em busca de conselhos, já que também atua como consultor.
- Por que eu não posso encontrar com ministros? [...] Eu sou uma liderança do PT. As pessoas pedem a minha opinião. [...] Dizer que eu conspiro contra o governo da Dilma é querer dizer que eu deixei de ser corintiano.
Segundo a revista, Dirceu mantém uma espécie de gabinete em um hotel em Brasília, de onde despacha com senadores, ministros e vários integrantes do primeiro escalão do governo. Imagens registradas pela publicação mostram a circulação de alguns membros do governo, como o ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento), no local. O ex-ministro, porém, lembra que vários políticos, inclusive Pimentel, são seus “amigos de 30, 40 anos”.
- São fotos obtidas ilegalmente. Houve, inclusive, uma tentativa de invadir o meu quarto. [...] Ele [o repórter] ainda tentou se passar por assessor do prefeito de Varginha, [...] para formar uma prova contra mim de tráfico de influência.
Para Dirceu, a acusação de que estaria usando sua influência no partido para prejudicar o mandato da presidente Dilma é “absurda”.
- Todo mundo sabe que eu sou governista. [...] Eu percorri o Brasil em 2009 defendendo o nome da então pré-candidata Dilma.
Assista à entrevista completa:
Faxina e mensalão
Em relação às denúncias de corrupção no governo, que provocaram mudanças na composição dos ministérios, Dirceu defendeu a investigação dos fatos, mas afirmou que não há necessidade, na opinião dele, de se criar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Corrupção.
- No governo Lula teve CPI, muitas CPI. Mas não tem sentido ter uma CPI da Corrupção agora, se a presidente Dilma está investigando [os casos], se a Polícia Federal está apurando. [...] E CPI virou mais instrumento de denuncismo, muitas vezes mais para buscar as câmeras, que qualquer outra coisa.
O petista disse acreditar ainda que irá conseguir provar, no STF (Supremo Tribunal Federal), que não participou do esquema do mensalão – que provocou sua cassação como deputado federal, em 2005.
- Eu luto para limpar meu nome no STF, porque fui acusado de ser chefe de quadrilha e de corrupto. [...] Como não há provas contra mim, porque sou inocente, eu quero ser julgado.
Ele evitou, contudo, opinar sobre a absolvição da deputada federal Jaqueline Roriz na última terça-feira (30), mas defendeu o fim do voto secreto na Câmara.
- Quando eu era deputado, a nossa posição era o fim do voto secreto. [...] Eu não tenho medo do voto secreto, eu não tive medo do voto secreto. [...] E fui cassado pela Câmara dos Deputados e não havia nenhuma prova contra mim. [...] Como eu fui cassado, eu não prejulgo ninguém. [...] Eu não posso opinar sobre algo que a Justiça ainda não julgou. (R7 e TV Record)
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