quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Estudantes de Ceilândia têm nova reunião de negociação com UnB

Encontro começou na manhã desta quarta-feira, no prédio da reitoria.
Cerca de 150 alunos ocupam local como forma de protesto.

Rafaela Céo Do G1 DF
Reivindicações dos alunos do campus Ceilândia foram discutidas em reunião nesta quarta-feira (14) (Foto: Rafaela Céo/G1)Reivindicações dos alunos do campus Ceilândia
foram discutidas em reunião nesta quarta-feira (14)
(Foto: Rafaela Céo/G1)
Estudantes do campus de Ceilândia da Universidade de Brasília (UnB) se reuniram na manhã desta quarta-feira (14) com o decano de administração da instituição, Eduardo Raupp, e com a diretora da unidade em Ceilândia, Diana Pinto, para discutir as respostas da universidade às reivindicações dos alunos sobre o campus de Ceilândia. (Veja nota abaixo).
O G1 entrou em contato com o decano Eduardo Raupp e a diretora Diana Pinto para saber o resultado da reunião e aguarda retorno.
Os estudantes protestam contra o atraso de quase dois anos para entrega dos dois prédios que compõem o campus em Ceilândia. A construção dos blocos Unidade de Ensino e Docência (UED) e Unidade Acadêmica (UAC) foi licitada no segundo semestre de 2008. A empresa que venceu a licitação tinha 300 dias para concluir os dois prédios, mas só entregou o primeiro, inacabado, em junho deste ano.
A ocupação da reitoria começou no fim da manhã desta terça-feira (13), com a presença de aproximadamente 400 alunos. Aproximadamente 70 deles dormiram no local na última noite e 150 passam o dia nesta quarta, informa o comando da manifestação.
Aproximadamente 150 alunos do campus de Ceilândia ocupam reitoria da Universidade de Brasília (UnB) nesta quarta-feira (14). Setenta deles dormiram a última noite no local (Foto: Rafaela Céo/G1)Aproximadamente 150 alunos do campus de Ceilândia ocupam reitoria da Universidade de Brasília (UnB) nesta quarta-feira (14). Setenta deles dormiram a última noite no local (Foto: Rafaela Céo/G1)
 
Entre os estudantes, a expectativa é de permanecer no local até que uma decisão concreta seja tomada. “Para quem já esperou três anos pelo campus, ficar um mês na reitoria não é problema algum”, disse a estudante Juliane Alves, estudante do curso de saúde coletiva.
Mais cedo, a assessoria da universidade afirmou que a disposição é por mais um dia de negociações com os estudantes. Sobre as demandas feitas, a avaliação é que algumas delas fogem da capacidade de atuação da universidade, como a presença do governo e do Ministério Público nas negociações.
“Alguns pedidos dos estudantes são bastante diferentes das nossas possibilidades. Não podemos, por exemplo, forçar uma agenda com o governo”, disse a chefe da assessoria de comunicação, Ana Beatriz Magno.
Quase formados no improviso
Alguns alunos que protestam contaram que se sentem frustrados por estarem terminando a graduação em sedes improvisadas. A estudante de fisioterapia Isabelle Barreira conta que faltam três semestres para ela concluir o curso.

Neste período, ela já teve aulas no Núcleo de Prática Jurídica da Faculdade de Direito da UnB e no Centro de Ensino Médio 4, ambos em Ceilândia. Agora, tem também uma disciplina no prédio inacabado do campus. “Só não estamos mais prejudicados porque temos professores bons, que buscam compensar a falta de estrutura”, falou.
Confira a íntegra da nota divulgada pela reitoria da UnB sobre a reivindicação dos estudantes:
“01) Demanda: Pelo rompimento imediato com a Construtora Uniengenharia de forma jurídica. E que nos sejam apresentadas garantias legais de não participação do novo processo licitatório.
Resposta: ATENDIDO. O reitor pediu ao GDF em 15.08.2011 e o GDF notificou a empresa Uniengenharia em 02.09.2011. Adicionalmente, podemos pedir ao GDF que declare a empresa inidônea com base nos documentos de não cumprimento de prazos;

02) E 03) Demanda: Por um contrato emergencial após o término do contrato com a atual empresa Uniengenharia, para o término da construção do prédio UAC. Que as obras no UAC aconteçam em dois turnos.
Resposta: ATENDIDO. O prédio da UAC será finalizado pelo GDF mediante licitação: há a Nota do GDF datada de 20.06.2011 com o compromisso de analisar o contrato emergencial da UAC; e a declaração do Secretário de Obras do GDF, feita na presença dos representantes dos estudantes Paulo Henrique e Karen Lorraine em 06.09.2011, afirmando que não caberá emergência, mas que o GDF irá licitar a obra. De acordo com a declaração do Secretário de Obras do GDF, o edital estabelecerá a execução da obra em dois turnos e finalização com máxima urgência;

04) Que a UnB seja responsável pelo custeio de material da UED
Resposta: ATENDIDO. A UnB manifestou ao GDF em 12.09.2011 a decisão de finalizar o prédio mediante contratação de empresa em caráter emergencial.

05) Cópia do contrato que estabelece que os dois prédios, UAC e UED, são de responsabilidade do GDF.
Resposta: ATENDIDO. O GDF iniciou as obras sem acordo formal, com projeto a partir de 2007 e obras a partir de 2008. Ofício de 2008 apresenta a intenção do GDF. A pedido da UnB, a situação foi formalizada em 2010 por acordo de cooperação.

06) Pela entrega do prédio MESP na data prevista, duplicação de trabalhadores e dois turnos.
Resposta: o prazo de entrega é início de janeiro. Não há objeção a que se faça dois turnos, desde que possível em razão das condições orçamentárias e técnicas da obra (há períodos em que não cabe acelerar a obra – por exemplo, durante a concretagem).

07 e 08) Revitalização imediata em volta do campus definitivo; Pela urbanização do estacionamento ao lado de fora do campus provisório e a garantia de segurança do mesmo para os estudantes por meio de pessoas capacitadas para que seja assegurados o livre trânsito dos alunos.
Resposta: São obras e ações sob a governabilidade do GDF, pois são em área do GDF, mas não da UnB. A UnB tem feito constantemente gestões ao Governo do Distrito Federal e pede a participação efetiva de representantes dos alunos nessas gestões.

09) Pela aquisição imediata de novas cadeiras e mesas
Resposta: ATENDIDO. Conforme proposta da empresa e nota de empenho (UnB doc 94596-2011)

10) Enquanto os prédios UAC, UED e MESP não estiverem em pleno funcionamento, que não haja entrada de novos alunos para curso de especialização, mestrado e doutorado e que não haja abertura de novos cursos de graduação, além do não aumento do número de para os vestibulares dos cursos já existentes na FCE.
Resposta: Essa matéria é de competência do Conselho da FCE, do CEPE e do CONSUNI.

11) Pela oferta de Libras
Resposta: Esta matéria depende de deliberação do colegiado de cursos de graduação e do Conselho da FCE.

12) Quantidade de funcionários definidos pelo comitê de ética da greve
Resposta: demanda deve ser encaminhada ao comando de greve do SINTFUB.

13) A Construção da Casa do Estudante Universitário na proximidade dos Campi. Enquanto não for construída, que a UnB se responsabilize pelo aluguel de casas nas proximidades do campus destinadas aos estudantes.
Resposta: Desde fevereiro de 2011, a UnB tem procurado um imóvel para alugar em Ceilândia apto a funcionar como moradia estudantil. Há casas, mas que não são regularizadas. O número de bolsas auxílio-moradia foi aumentado. Há previsão de casa do estudante no plano diretor do campus UnB Ceilândia, mas depende de deliberação do Conselho de Administração - CAD - da UnB.
b) Que as atividades acadêmicas sejam paralisadas enquanto houver permanência dos estudantes na reitoria
Resposta para b : É decisão do corpo docente da FCE;
Resposta para o item “c”: é atribuição do Conselho da FCE.

14) Exigimos uma reunião imediata com o Reitor da UnB, secretário de obras do GDF e governador Agnelo Queiroz assistida pelo Ministério Público Federal (Procuradoria Geral da República) com os professores e estudantes da Faculdade de Ceilândia para que nos sejam apresentadas garantias legais e jurídicas de cada ponto desta carta.
Resposta: Reunião com o reitor pode ser imediata, estabelecidos os necessários parâmetros de interlocução e diálogo. Reunião com autoridades do GDF depende de aquiescência das autoridades do GDF, com pauta prévia a eles apresentada.

Proposta da Reitoria:
Propomos o acompanhamento permanente das ações relativas ao Campus UnB-Ceilândia por comissão de pelo menos três representantes dos estudantes de Ceilândia, obrigados a informar à comunidade sobre as ações administrativas.
Os estudantes se comprometem a participar efetivamente das instâncias colegiadas da FCE e dos Conselhos Superiores da UnB, levando suas questões a essas instâncias e repassando as deliberações dos colegiados aos demais estudantes da comunidade da FCE. “ (G1 DF)

Nenhum comentário:

Postar um comentário